Eis que 2018 já começou com textão necessário e indispensável da Dani Dalledone lá no seu perfil no instagram falando, entre outras coisas, sobre o trabalho que dá desenvolver receitas – os famosos PAP’s – para crochê. Essa reflexão me inspirou a tirar da gaveta esse post, que já estava sendo costurado há algum tempo, sobre a importância de dar os devidos créditos nas receitas de crochê.

 

Para começar a conversa, o que são os créditos de uma receita?

Uma das definições de crédito no dicionário é O que é devido à alguém. No crochê, quando seguimos uma receita – paga ou gratuita – ou nos inspiramos inspiramos em uma peça de um outro artesão devemos – pela ética e pela valorização da nossa arte como um todo – creditar este trabalho criativo a quem de fato elaborou, pensou e nos auxiliou para que, com a nossa habilidade manual, você pudesse chegar àquele resultado.

 

 

Mas porque se dá tanta importância à isso? 

Ao contrário do que muita gente pensa, não é só uma questão de ego. O trabalho criativo é tão árduo quanto a execução de fato da peça. Quando vou postar uma receita aqui no blog, por exemplo, eu a faço, no mínimo, duas vezes: a primeira para de fato elaborar a receita, com muito faz e desmancha até acertar as proporções e as coisas saírem como eu imaginei na minha cabeça. Essa peça piloto geralmente não fica em condições de ser vendida, já que o fio desmanchado muitas vezes acaba ficando com aquele aspecto de miojo e desfia fácil, além de muitas vezes os membros, orelhas e olhos não serem muito simétricos. Na segunda execução verei se a receita teve erros de anotação, se está realmente funcionando e só depois de tudo certo ela vem parar aqui. Quando o padrão é um pdf para venda (em breve teremos uma área no site só com venda de recitas \o/) o processo é ainda mais trabalhoso, pois inclui uma terceira execução com fotos detalhadas do processo. E eu nem contei aqui o tempo de estudo, pesquisa, leituras para chegar em uma receita que atenda àquilo que as demais artesãs procuram.

Em todo esse tempo que o designer – no caso eu -está desenvolvendo uma peça, elaborando um pap, em vídeo, fotos, pdf ou a mídia que for,  não está fazendo peças para venda. Muitas vezes esses artesãos nem vendem suas peças, seu ganha-pão é criar produtos diferenciados, que serão monetizados por outros. É mais que justo que esse tempo de trabalho seja devidamente remunerado – e nem sempre essa remuneração será em dinheiro vivo.

Nessa era de internet um ativo muito importante é a reputação. Essa reputação vem do reconhecimento daqueles que te ‘seguem’, do quanto você é citado, do quanto seu trabalho é reconhecido e admirado, para assim atingir um maior público, que poderá reverter em uma maior clientela, em alunos ou até mesmo atrair a atenção de um patrocinador! É esse retorno, que nem sempre é imediatamente financeiro, que nos impulsiona a criar mais conteúdo, com cada vez mais qualidade. E para quem credita também é um grande prazer, em dezembro recebemos o feedback no instagram de duas designers das quais compramos e executamos receitas e foi uma grande felicidade ver que elas gostaram dos toques pessoais que demos a suas criações.

 

 

Vamos à parte prática? Como eu dou os créditos de uma receita?

– Tá, estou achando isso muito legal, mas não entendi como fazer!

Em primeiro lugar, leia na própria receita, de forma geral os designers indicam como gostariam de ser creditados. Nas nossas receitas geralmente escrevemos algo do tipo

“Você pode adaptar essa receita, fazer modificações e vender o produto final, pedimos apenas que sejam dados os devidos créditos.Marque nosso perfil no instagram – @casalcroche – e usem a hashtag #crochetandocomcasalcroche nas suas redes para que possamos ver sua arte. E sempre que publicar seu trabalho pronto  linke a nossa página. É fácil, é rápido e justo.”

Preste atenção – se você identificou que a receita que está executando é paga e você não pagou por ela pare agora mesmo! Delete esse .pdf da sua vida! E se você amou muito a receita, procure o link original de compra – não era nem pra precisar alertar sobre isso, mas vai que tem algum desavisado, né?

Se não encontrou a indicação na própria receita, geralmente uma coisa simples resolve, como:

Receita elaborada por Fulana de tal (site, perfil de rede social), executada por Beltrana de tal (seu nome e informações que desejar).

A receita que ilustra esse post é de Rachel H, do site Little Yarn Friends. Eu sempre credito assim:

Receita de Rachel H. para Little Yarn Frieds (litteyarnfriends.com) executada por Gabriela D’Andrea. Simples assim.

 

Outros pontos que é bom alertar:

 

!!!!Google e Pinterest não desenvolvem receitas!!!!!

Vejo em muitos grupos: Créditos ao Google, imagem do Google, ou crédito: Pinterest. Ok, a intenção pode ser boa, mas o crédito não chega lá onde ele é importante, em quem criou e desenvolveu aquele trabalho. Quando fazemos uma pesquisa de imagem no Google podemos clicar sobre a mesma e visitar o site onde esta imagem se encontra. Se aquele site não apresenta o nome da artesã, temos outro recurso que é a pesquisa por imagem, é só clicar com o botão direito do mouse em cima da foto e selecionar “pesquisar imagem no google”, a pesquisa vai apresentar todos os resultados para aquela foto, em geral dois ou três cliques te levam ao nome de quem desenvolveu a receita.

O mesmo pode ser dito do Créditos à artesã. A intenção pode ser a melhor, mas não é efetivo. Muitas vezes o nome está estampado em marca d’água na própria foto, sendo necessário somente uma pesquisa breve por esse nome para descobrir como creditar certinho. É um esforço válido.

 

 

Fiz a receita no olhômetro, devo creditar a artesã que me inspirou?

Essa questão do ‘olhômetro’ é polêmica, eu acho de bom tom no mínimo contatar a artesã que te inspirou antes de fazer o trabalho, por respeito a sua criação. Mas sem entrar nesses méritos, a ideia criativa foi de outra pessoa, não é mesmo? Então o correto é creditar, peça inspirada em Fulana de tal, pode ser até uma deixa para um contato e vocês trocarem uma ideia…

 

 

Para concluir

Eu acredito que quanto mais tratarmos de forma ética quem cria, mais o ambiente fica agradável, a concorrência leal e o meio profissionalizado. Então vamos dar os devidos créditos a quem criou?

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Ps.: Desde o ano passado, quando entrei mais de cabeça no mundo do crochê profissional, venho identificando um esforço para profissionalizar o meio e tornar as relações mais éticas. A Marie Castro e a Nat Petry  fizeram excelentes vídeos sobre precificação, a Clarice Batusanchi criou a hashtag #revelequemfez para, como eu estou fazendo aqui, mostrar quem está por trás de peças lindas que vemos por aí sem créditos, os grupos tem muita tentativa de conscientização sobre o compartilhamento de receitas pagas e já falei do textão da Dani lá no início do post. Proponho então, humildemente, que além das hashtags de cada campanha, unamos essas iniciativas sob a hashtag #crocheconsciente e que em 2018 consigamos espalhar a ética e o profissionalismo, começando a valorização do artesanato por nós mesmos!

 

 

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